Acostumamos a Acostumar
Existem situações que acostumamos com mais facilidade e outras nem tanto.
Aqui na Rússia, experimentei muito disto, acostumei a levantar com uma temperatura de 10º. e a tarde chegar a quase 40º., acostumei a ver papel de parede em todas as paredes, tanto de casas, como comércio, escola, hospital (aqui um pintor iria a falência).
Um dia desses entrei em uma casa onde havia no banheiro azulejo, e até estranhei, pois nunca mais tinha visto.
As vezes é difícil acostumarmos com certas situações difícieis, e com certeza é muito fácil acostumarmos com as coisas boas da vida.
Infelizmente também percebi que é muito fácil acostumarmos com o errado, com o que a nossa natureza “carnal” gosta.
Houve uma época da minha vida que com a “desculpa” da correria, deixei de ler a bíblia por uma semana, quando percebi já fazia cerca de três meses que lia muito pouco.
Criei um hábito em minha vida de toda manhã gastar os primeiros 5 minutos acordado em oração de gratidão à Deus, um dia acordei atrasado não fiz, e depois de alguns meses percebi que já não orava ao me levantar.
Com isso lembrei de pessoas que aos poucos paravam de ir à igreja, e quando ia visitar, não tinham um justo motivo, simplesmente iam deixando de ir.
Acostumamos a não orar, não ler a bíblia, não ir na igreja, ou pior, ir só por costume e não por transformação de vida. Acostumamos a cantar para Deus músicas verdadeiras, mas que não são verdades em nossa vida, acreditamos mas não as vivemos. Acostumamos a falar que Deus é o centro de nossa vida, mas na prática está em último lugar. Acostumamos a roubar a Deus em nossos dízimos, no tempo, nas palavras, e para tudo isto estamos acostumados a dar uma “boa” desculpa.
Acostumamos a guardar mágoas e ressentimentos no coração, acostumamos a sermos juízes uns dos outros, acostumamos a dar desculpas para uma vida medíocre com Deus. Acostumamos.
Estas situações fizeram surgir uma pergunta em meu coração. Porque não nos acostumamos com as coisas boas que geram vida em nós e nas pessoas que nos cercam. Porque é tão difícil acostumarmos com o certo, com a vida íntima com o nosso Criador?
Isto ocorre por causa da nossa “segunda” natureza, a natureza caída, a qual Paulo se refere como em Romanos 7:19: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”.
Mas então como acostumarmos com o certo? Como voltarmos a nossa “primeira” natureza? A natureza de filho do Deus vivo.
Paulo em suas cartas, nos conta o “segredo”, que é simples e todos conhecem, temos que ter em nossos lábios palavras de edificação, perdoando, acostumando com a vida de oração (Ef. 4:17-32; 5:18-19; 1Ts 5), mas Jesus nos ensina de uma maneira fantástica, onde Agostinho diz que com isso podemos fazer o que bem quisermos, basta viver dois ensinamentos de Cristo: “Amar a Deus acima de tudo e o teu próximo a ti mesmo”.
Quando nós como filhos de Deus começarmos a viver estes mandamentos, com certeza a nossa vida será diferente e iremos acostumas em fazer a vontade de Deus.
Iremos tirar a máscara da religião, da falsidade cristã e navegaremos na verdadeira água do cristianismo sem medo de nos despirmos diante do Pai pois é Ele que nos limpará e assim no lugar de acostumarmos simplesmente com Deus, será verdadeiramente Deus e Pai em nossas vidas, e a oração do “Pai Nosso” será mais real do que nunca.
NEle que não se acostumou a nos ver pecar.....
Fábio
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