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Homenageando os Esquecidos

 

            Do ano de 1996 até 1998 trabalhei como seminarista em um ponto de pregação da Igreja Presbiteriana Central de Limeira. Lembro-me da primeira conversa com o pastor Jonas (pastor da Igreja de Limeira), na qual ele me disse que a Igreja Bethel tinha um trabalho em um bairro muito carente da cidade, já havia 4 anos e eles não queriam mais “tocar” o trabalho e perguntou se eu queria pegar, frequentavam poucas crianças crianças e um casal (Dito e Vera) dirigiam o trabalho que era feito em uma escola de domingo de manhã.

            Falei que “topava”, desde que tivesse toda a liberdade para fazer o que queria e chamar quem eu quissesse para ir trabalhar comigo, o pastor concordou, e me disse que o conselho não era muito a favor de eu tomar conta do trabalho, mas ele insistiu e quis passar para mim, e ainda brincou: “O trabalho não tem como piorar, pois não tem quase ninguém, e se você fizer um bom trabalho o conselho leva os méritos”, dei risada e sai, já pensando no que faria...........

            No primeiro dia, havia cerca de 10 crianças e o casal de adulto, quando gritei :”bom dia” quase nenhuma criança respondeu, e dai perguntei se não tinham tomado café da manhã, e para minha surpresa (pela igenuidade de trabalhar em bairros carentes) a maioria respondeu que não, por causa disso resolvi começar toda a reunião com um café da manhã.

            Convitei cerca de 40 pessoas da igreja central para trabalhar comigo, no qual cerca de 25 aceitaram, no decorrer dos 3 anos trabalhando lá, mais de 50 pessoas me ajudaram neste projeto, alguns durante todo o tempo, alguns durente os 3 anos como (Márcio Baccan, Maurício Beia, Pigão, Fuba e Ismael), e outros apenas alguns meses, mas com certeza todos tiveram a sua importância, alguns apenas carregando cadeiras, ou olhando as crianças, outros tocando algum instrumento, dando aula, aconselhando, enfim, nas mais variadas situações. Além do casal que começou o trabalho anos antes na sua própria casa e participou em todo tempo, o Dito e a Vera.

            Neste tempo, me lembro que pedi um retroprojetor para a igreja, na qual negou por falta de dinheiro (um absurdo), mandei 4 cartas para o conselho e resolveram fazer uma pastinha com músicas (isto porque o preço das pastas quase se igualava ao retroprojetor, além de durar pouco, tendo em vista que muitas crianças pegavam na pasta, e sem cuidado), bem, depois desta estupidez, pedi para ser ouvido pelo conselho da igreja, na reunião, ouço um presbítero dizer que a minha visão era microvisão e o conselho tinha uma macrovisão, nesse momento tive que fazer uma tremendo força para não cair na gargalhada, pois aquela era a maior piada que já tinha ouvido, ainda mais vindo de quem veio (hoje esta pessoa não é mais presbítero, e a igrejas está cheia de novos presbíteros com mais visão, graças a Deus). Por fim acabei comprando o retroprojetor com outras ofertas.

            Depois disse vimos um terreno bem barato (o trabalho já tinha mais de 100 crianças e 80 adultos com Escola Dominical de manhã e culto a noite, tudo feito na escola pública, e para o culto a noite levávamos cerca de 100 cadeiras, mas aparelhagem de som, microfone e materiais necessários), novamente mandei uma carta para o conselho, que alegou “não ter dinheiro”.

            Com isso resolvemos fazer uma feijoada para arrecadar dinheiro, onde pessoas que não  frequentam igreja ajudaram com todo amor. O conselho vendo que íamos comprar o terreno, resolveu comprar, pegou o dinheiro que nós havíamos ajuntado e acrescentou o que faltava e comprou.

            Gostaria de resaltar que até então eu tinha todo apoio do pastor Jonas, e sabia que ele apoiava as minhas idéias, mas no sistema presbiteriano o Conselho é quem decide onde o pastor é o presidente, mas não tem a palavra final.

            Enfim, foram anos de muitas lutas, muito trabalho, muitas crianças, mas muita alegria, onde vez por outra eu ouvia pessoas criticando, inclusive o pastor que começou o trabalho, era uma das pessoas na qual diziam que criticava o trabalho (nunca fui verificar se era verdade, pois não fazia a menor diferença para mim, pois sabia que antes de nós assumirmos o trabalho ele tinha pensado em fechar o ponto de pregação).

            No final do 3 ano, o trabalho estava muito bem, com cerca de 120 crianças, muitos adultos, e o pastor Vilson já vindo ajudar, pois ele iria dirigir o trabalho no próximo ano, quando eu me formaria e iria para outra igreja.

            Chegou o ano de 1999, onde foi construída a igreja com a ajuda da igreja central e da própria IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), pois eu tinha feito um curso de um mes em minhas férias justamente para poder contar com os recursos financeiros IPB para a construção, o projeto foi do Arquiteto Eduardo Volf, que por sinal ficou uma maravilha, e um pequeno detalhe, não cobrou nada para fazer o projeto, fez com amor (contrastando com outra política suja que aconteceu nesta época envolvendo outra construção, mas essa fica para um próximo “desabafo”).

            Finalmente chegou o dia a inauguração, se tornaria uma Igreja e não mais congregação, me “convidaram” para estar presente, chamei as pessoas que trabalharam comigo durante aqueles anos e muitos estavam presentes, sentados nas cadeiras como eu.

            Ai começa o “teatro” evangélico, sobem no púlpito o pastor M. T. M., o presbítero Jair (esse sim eu sabia que era sério com Deus), pastor Vilson (que estava tomando conta da igreja, e esta até hoje – 2007-, fazendo um ótimo trabalho, e tornando ela, uma das maiores igrejas presbiterianas de Limeira), e o pregador, pastor Sergisberto (acho que era esse o nome dele, ele escreve alguns livros, então pela “fama” foi convidado a pregar, já que estava na região no dia). Enfim, só pessoas que não fizeram parte da história inicial da igreja.

            O discurso do pastor M., foi o mais “ilárico”, ele disse que “com muito amor passou para a central este trabalho que estava indo tão bem na igreja dele” (isto porque o casal que dirigia com todo amor, reclamava direto da falta ajuda dele), disse que sempre apoiou e outros aberrações que prefiro nem citar. A sim, o meu nome foi sitado uma vez pelo presbítero Jair, o do Du Volf, não me lembro, as mais de 50 pessoas que passaram por lá e quem na verdade fizeram acontecer o trabalho, nem foram citados. O Dito e a Vera que iniciaram o trabalho, nem lembraram da existência deles, afinal não possuiam cargos na igreja, e eu era apenas um “quase” pastor (ainda não havia sido ordenado).

            Naquela noite percebi um pouco mais da politicagem da igreja, a qual prometi para mim mesmo nunca fazer parte.

            Agradeci a Deus, pois aprendi que trabalhar para Deus é a maior recompensa que alguém pode ter, e Ele é fiel e justo.

            Depois disto fui convidado a pregar na igreja apenas uma vez no ano de 2005 para apresentar o Projeto Sibéria.

            Gostaria de deixar aqui a minha gratião a essas pessoas que fizeram acontecer este trabalho, muitas delas nunca haviam trabalhado na igreja e fizeram um ótimo trabalho com muito amor, outras deixaram cargos na igreja Central para estarem lá conosco, enfim, pessoas que podem não terem sido lembradas por homens, mas com certeza escreveram mais um pedacinho de suas histórias no coração de Deus, e este sim, não irá esquecer...

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