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3 “Artes” em 1982


O Telefone “Cobra”

 

            Era o ano de 1982, meu pai tinha voltado de uma viagem, no qual ele trouxe o telefone “Cobra”, era um sem fio (até então era raríssimo, esse telefone no Brasil, poucos pessoas tinham um telefone de tecla e sem fio), e além de ser sem fio, tinha um desenho que parecia uma cobra, achei o máximo.

            A professora de piano da minha irmã quis ver o telefone e ela levou para a projessora ver, eu por minha vez queria mostrar para os meus amigos no judo, ou na escola, mas a minha mãe nao deixava, fiquei bravo, chorei, perguntei por que só a Fabíola pode e eu não. Sempre achei que ela era a preferida e eu não, pois ela sempre tirava boas notas, eu sempre ficava de recuperação, nas reuniões de pais ela era sempre elogiada e eu sempre ficava de castigo uma semana, e é lógico eu aprontava muito, aliás sempre fui “rebelde”, tanto que a minha mãe falava que quando eu fizesse 12 anos irei me entragar para o meu tio que é padre, para morar num colégio interno, aliás ela falava tanto isso, que já tinha me conformado que iria morar num colégio interno com 12 anos, então como não tinha jeito, eu aprontava mesmo...., bem vamos voltar para o telefone.

            Como disse, achava que a minha irmã era protegida, não achava justo, o que eu fiz então?? Escondido levei o telefone na escola e mostrei para todo mundo, todo orgulhoso.

            Conclusão, cheguei em casa com a minha mãe com a cinta na mão me esperando, tentei me justificar, pedi desculpas, mas novamente apanhei, e fui pra casa do cachorro dormir com ele, que era “o meu canto de fuga” na infância, até o meu se dar o cachorro para a minha tia que tinha sítio, para mim isso fui uma traição na época, fiquei anos magoádo com isso, pois achava que ele não tinha direito de dar algo que fosse meu.

 

 

 

 

 

 

Fábio o “Super Herói”

 

            Ano de 1982, meu tinha tinha uma poltrona, a típica “poltrona do papai”, atrás dela ficava uma sunga minha com uma espada, e sempre que eu pulava lá atras eu me “transformava” em um super herói, onde vencia terríveis inimigos (até a minha mãe, estragar a minha brincadeira), e teve um dia, onde eu tinha me transformado, e nesse eu voava, como morava em um sobrado, fui na sacada, subi em cima da grade e segurei um fio proximo da mão, estava quase destruindo os inimigos, quando de repente vejo a minha mãe, mas branca que a neve, olhos arregalados, não conseguia falar, até que finalmente soltou uma frase: “Fábio, pelo amor de Deus, desce já dai”, eu disse que eu era um super herói, mas creio que ela não acreditou e comecou a repetir para eu descer, dai vi que situação ficou séria e a surra seria grande e inevitável, como ela estava apavorada resolvi chatagear, e disse: “só saiu daqui se você prometer não me bater”, mas ela não me ouvia, até que ela percebeu a condição e prometou, dai sai já dizendo: “você prometeu”, realmente ela não me bateu, mas precisou tomar água com calmante, chorou muito (que foi pior do que se tivesse me batido), e disse: “não consigo cuidar de você, ou o seu pai lhe dá um jeito, ou não sei o que fazer”, fui para o quarto triste pensando.... “ela não entende que eu era um super herói”....

 

  

 

Apenas queria ir para a Lua

 

 Tinha cerca de 8 ou 9 anos, o meu pai tinha vindo de uma viagem e trazido para mim e para o meu irmão dois helicópteros que voavam com controle remoto, era maravilhoso, um brinquedo moderno, não conhecia mais ninguém que tinha.....

Um dia olhando as estrelas, fiquei com vontade de ir para a Lua, pensei que ela deveria ser muito bonita, e como já tinha ouvido falar que outras pessoas foram para a Lua, resolvi construir a minha própria nave espacial, como tinha um helicóptero que voava, achei que seria mais fácil, o que fiz??

Desmontei o meu e o helicoptéro do meu irmão, outros carrinhos, trenzinhos que tinha, e até um brinquedo eletronico da minha irmã.

Bem resumindo a histório, por incrível que parece, eu não consegui montar a nave espacial, e também não consegui montar de novo os brinquedos, desta vez apanhei foi do meu pai (que era bem pior do que apanhar da minha mãe), fiquei de castigo perdi o helicóptero, e todos em casa ficaram de cara feia para mim e o meu irmão pra piorar não parava de chorar por ver os brinquedos dele desmontados.

           Novamente fui incompreendido, apenas queria ir para a Lua......

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