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Ricardinho, um dos "comparsas"
A prisão

    Se não me falha a memória era o ano de 1989, nesta época estava com 14 anos, fazia o que me dava na cabeça (dava um trabalho para a minha avó que me criou),
    Quase todos os finais de semana íamos ao clube, beber, atras de mulheres e aprontar alguma coisa.
    Um dia eu, o Ricardinho Navarro e o Pedro Batistela descobrimos que na madrugado de sábado para domingo o jornaleiro deixava os jornais em frente a banca, para de manhã serem colocados para dentro. Então as vezes quando o Pedro ia de carro, nós parávamos na frente da banca e “pegavamos” alguns jornais.
    Bem certo noite estávamos todos voltando a pé (eu, ricardinho, wilsinho, boi, Pedro e mais um amigo do wilson que estava bebado no clube). Ao passarmos na frente da banca eu o Ricardinho e o Pedro pegamos os jornais, os outros até assustaram com nossa atitude, pois além de pegar fizemos um pouco de vandalismo, e fomos andando, o Pedro que era o único maior de idade se separou de nós pois morava lá perto, nos fomos retos, pois eu morava uma quadra para frente, logo após um distrito policial.
Quando estávamos passando na frente do distrito policial, uma pessoa pediu ajuda para empurrar o carro, entao guardei os jornais dentro da blusa, e o boi que tinha bronquite ficou segurando o restante vendo nós empurrarmos o carro. Quando chegamos na esquina uma viatura da polícia parou e pediu para todos nós encostarmos na parede, assim que encostei fui jogando os jornais no chão para longe de mim (e para minha sorte a polícia nao viu), nesse momento eles começaram a perguntar onde estavam os jornais, pois tinham sido avisados, e quando um deles ameçou a dar com o cacetete (e de fato um deu em mim) o wilson avisou que o pai dele era advogado, então eles se acalmaram, mas nisso viram os jornais no chão e começaram a perguntar, e ninguém falava nada. Neste momento o igenuo do boi vem vindo em nossa direção com os jornais na mão, perguntando: “o que ta acontecendo”, a polícia pergunta: “o que é isso na sua mão”, ele responde: “não sei, não fui eu”, então a polícia pergunta: “quem foi” e ele respondeu: “eu sei mas não falo”. A cena ficou muito engraçada, mas acabamos indo todos para o distrito.
    O rapaz que estava bebado não estava entendendo nada, e todos estavam com medo, ainda mais quando o policial nos colocou em uma cela pequena com 2 bandidos de moto, tivemos que tirar cinto, sapato, blusa. Nesta época já fazia um bom tempo que não conversava com Deus, mas como sempre, quando “a coisa aperta” nós lembramos...., e pedi pra Deus me livrar, pois ficava pensando na minha avó, eu até estava contente, pois sempre chegava depois do horário que ela pedia para eu voltar, e pela primeira vez eu ia chegar antes.
    Enfim o policial começou a ligar para os pais de cada um, e eu ouvi que ele não ligou em casa, dai quando foram chegando os pais, eu expliquei que ele não tinha ligado em casa, pois eu morava ali perto e já teria tempo da minha avó vir me buscar (já imaginando a coitada tomando aquele susto, vindo de madrugada, tadinha), dai o pai do Ricardinho disse: “pode deixar ele vai comigo, conheço ele e a família dele”, agradeci a ele e a Deus, pois pelo menos não tinham acordado a minha avó, e fui correndo pra casa, já quase amanhecendo o dia, e a minha avó nem tinha ido dormir preocupada, já que eu não voltava, é lógico que inventei uma história, disse que haviam pego jornal na banca um grupo de jovens que estava a nossa frente e a polícia nos chamou para testemunhar, ela não acreditou muito, mas passou..........
    Ah, mas também nem fomos “fichados”, pois o pai do meu amigo conversou com eles e ficou tudo resolvido, mas foi um suto e que suto, depois só piada, e mais história pra contar...

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