Eugene H. Peterson, no livro “Corra com os Cavalos”, cria uma imagem fantástica para definir o real significado da oração. Imagine-se jantando com alguém que você aprecia grandemente e tem grande expectativa em ficar a sós. Você o convida para um restaurante com uma atmosfera agradável e que favorece a privacidade. As luzes são cuidadosamente arrumadas para que a atenção esteja na conversa, como se ninguém mais estivesse no mesmo restaurante. O garçom se aproxima para tomar nota do pedido, para trazer os pratos e servir um pouco mais de vinho. A conversa é envolvente com momentos de intenso falar e outros de completo silêncio, mas cheio de significado.
Após agradecer o garçom e deixar-lhe uma gorjeta, você sai com o sentimento de que teve um momento muito especial e significativo.
A descrição é linda e pode revelar quão saudável ou doentia é nossa vida de oração.
Nesta bela estória a pergunta é simples, porem profunda, pois mostra o nosso relacionamento com Deus, e até que ponto Ele faz a grande diferença em nossa vida. Portanto nesta história, quem é Jesus? É o amigo no qual passamos horas e horas conversando, ou é o garçom que está sempre disponível para anotar os nossos pedidos, que chamamos quando precisamos?
As vezes, a pessoa com quem conversamos, nos abrimos e confidenciamos é o nosso próprio ego, enquanto Deus é o garçom que atua na periferia da cena. Ele se apresenta para responder aos pedidos determinados entre nós e nós mesmos. Ele escuta acerca das insatisfações quanto ao serviço prestado ou pode ouvir um muito obrigado no final do encontro e, quem sabe, até receber uma "gorjeta-oferta" de gratidão. Este Deus-garçom é um coadjuvante do evento. Quem nos absorve, influencia e orienta é nosso próprio ego.
Quem tem sido Deus em seus momentos de oração? A pessoa com que você se relaciona e se deixa envolver? Ou o garçom que é chamado para atender a lista de pedidos discutida entre você e seu ego?
Enquanto Deus não for o amigo, no qual sentamos e conversamos, que temos um relacionamento de intimidade, ficaremos sem entender os seus planos e propósitos para a nossa vida, Ele irá parecer alguém distante, conheceremos a religião, mas não o cristianismo, e a dúvida da vida irá sempre ressoar em nosso coração.
Por isso a minha oração é que transformemos Jesus no amigo a mesa e não no garçom.
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